20 de abril de 2008

Sangue seco

Julieta sempre na hora de acordar
viu um filete de luz entrando em sua janela
ela tinha a pele branca
usava um vestido longo de algodão
costurado a mão por ela mesma
passava seu café em um velho coador de pano
retalhos espalhados no chão e um corte no pulso
acordou numa manhã em um jardim
com folhas secas pela grama
como qualquer jardim de um conto de amor
mais ela estava sozinha sentia-se bem ali
até perceber que tinha um formigueiro
e as formigas subia por todo seu vestido
notava que durmirá por lá, levantou-se e foi caminhar
sentiu gotas pingando vindo de algum lugar
olhou para seu pulso e era seu velho corte
que voltava a sangar
sentiu-se fraca e o verde da grama estava vermelho
desmaiou
quando voltou de seu desmaio estava em seu quarto
não tinha saído de lá
e tudo parecia normal
mas seu pulso ainda estava aberto
com uma casca de sangue seco que cobria o corte
e não deixava o sangue escorrer
achou tudo muito estranho
levantou para passar seu café e nem se lembrava mais
do episódio que acabava acontecer.

(Gabriela Godoy)

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