28 de novembro de 2008

Pule do último andar



voar
Sustentar-se ou mover-se no ar
é o que muitos almejam encontrar.
em breve alguém conseguirá.

quem sabe, como nos sonhos seja possível
e consigamos flutuar dando passos no invisível,
embora arriscado e imprevisível.

há quem diga que consegue tal feitio
há quem prefira viver no solo à sonhar que é um avião
enquanto o outros dizem
que é loucura não se ter os pés no chão.

crie asas
e me ensine a voar
assim vou poder ver e acreditar.
crie asas
e pule do último andar
se for capaz de não se espatifar.

(texto e ilustração: Felipe Godoy)

13 de novembro de 2008

Uma canção para Marco



Marco queria apenas cantar.
Queria que alguém o ouvisse e foi procurar.
Saiu de casa, pegando o violão e um chapéu.
Pegou também um cachicou velho de bolinhas brancas.
A rua era fria, e ninguém nesse horário saia.
Apenas durmia.
Marco começou à dedilhar algumas notas soltas que dedicava ao luar.
Marco lembrou da prisão e dos tempos em que morou na rua.
Ele nem percebeu que de um prédio perto de onde tocava, desceu uma moça que poderia ser sua filha ( se ele tivesse filhos e fosse casado). A jovem tinha cabelos curtos e pretos, como se fora cortado com ajuda de uma cuia, vestia uma camisola velha e um casaco vermelho por cima, que destava seu corpo pequeno.
Com o olhar voltado pro violão de Marco, ela pediu:
- Toque uma canção?
E Marco não exitou, e foi tocando, dedilhou uma música que nunca havia antes tocado, e era a música mais bionita que ouvia. Quando pensou em contar pra joven que a canção era muito bela, e não sabia de onde viera, cadê ela? A menina não estava mais alí.
marco então, voltou para casa.
Quando chegou a seu quarto, viu uma certa desorganização em seu guarda roupas
e em cima da cama estava um casaco vermelho.
o mesmo usado pela garota da rua, só que agora com um bilhete escrito:
- Aquela canção que tocaste hoje para mim, é sua!

Felipe Godoy

9 de novembro de 2008

A luz antes do Túnel



Desencontrei do caminho
desencontrei de todos
desencontrei de tolos
desencontrei dos outros

fechei os olhos pra eu mesmo
fechei os olhos pros cômodos
fechei os olhos pra gregos
fechei os olhos pros âmbitos

sozinho não se consegue muito
sozinho não se tem amigos
sozinho não se tem assunto

abri os olhos de um sono
me assustei com a claridade da sala
percebi que a luz antes do túnel
nunca foi um engano


(Felipe Godoy)