
MICRO-CONTO
Literatura Marginal
História de uma Confissão
Apago a luz e tento dormir mais a obsessão de estar em outro lugar, a todo momento, me dá nos nervos ficaria tranquila se nunca tivesse conhecido algo assim, mas a obsessão me atormenta, ascendo um cigarro e logo trago os restos de comida da minha geladeira, fumo um, dois, três, logo acabo com o terceiro maço.
Eu confesso que troquei o meu vício, sempre faço isso troco um vício por outro estou com mania de bebidas, já basta a comida que me consome mas tem que ser daquelas bebidas baratas, daquelas de boteco, daquelas bebidas bem fodidas de ruim, se não, ela não serve pra mim.
Há anos me recordo, já foram livros, incensos, revistas, truco, roer, cheirar coisas, vestir a mesma roupa velha no domingo, verificar se tranquei a porta mil vezes, ver se abaixei o gaz da cozinha, fechar torneiras, guardar mil cacarecos sem utilidade, vidros de perfume, lixa de unha da campanha eleitoral passada, depois jogar tudo fora e me arrepender, quando vi que precisava de algo que joguei fora.
ultimamente voltei aos incensos, eu mesma já me repeti mil vezes que isso faz mal a saúde, que a droga do incenso não presta que é toxica aquela maldita fumaçinha que tanto me seduz e impregna nas minhas narinas.
mas eu já estrago ela diariamente pouco importa agora, me lembro dos livros velhos que eu tinha pouco passava o olho para ler nem ao menos me lembrava daqueles títulos pensava só em tirar o pó acumulado, mas, eu vivo acumulando coisas, nesse últimos 32 anos venho acumulado vícios e dores!
texto e imagem: Gabriela Godoy