quinta-feira, 18 de junho de 2009

Diferente mais bonito,


Vai, começe a olhar
os ladrilhos gastos no chão,
o quadro fotos caiu
o telefone tocou
ninguém ouviu
porque a música estava alta, demais.

Eu acho o diferente mais bonito
e todos dizem que é muito esquisito
eu gostar do que gosto.

Vai, começe a pisar
nas folhas caidas no chão
ouça o barulho que isso faz
e esqueça a idade em suas mãos
porque a música fica mais alta
se você quiser escutar.

Eu acho o diferente mais bonito
e todos dizem que é muito esquisito
eu gostar do que gosto.

(texto e desenho: Felipe Godoy)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Debruça-te



Debruça-te em próprias pernas
e começe a pensar.
Se é que podes salvar o mundo
sem saires de onde está.

Cante para fazer sorrisos,
sinta frio e calor.
Escondido, sinta a chuva,
e grite à mim o seu sabor.

Leve-me ao alto de uma bela árvore
e me conte teu segredo.
lá de cima eu te diria,
a vontade que tenho de quebrar o braço esquerdo.

Debruça-te em próprias pernas
e começe a pensar.
Se é que podes salvar o mundo
sem saires de onde está.

(texto e desenho : Felipe Godoy)

domingo, 24 de maio de 2009

Carimbo


Olhos atentos, quase um veneno
Descuidos, desejos, desencantados
melancólico, medo medonho
Seus olhos de carimbo ai de marcar
Volume nos bolsos, suas mãos protegidas
Para não congelar

Perigo certeiro, doce desejo
Quem sabe assim sempre será
Não busca nada, nem fala nada
Te faz gaguejar

Carimbo na face, seus olhos fagueiros
Fácil adorar, o carimbo dos olhos aí de marcar!



(texto e Desenho: gabriela Godoy)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Olhando bem de perto.



Ela queria de perto ver tudo,
Ver por dentro.
olhar bem fundo.

Se bem pensarmos
todos somos assim,
curiosidade é necessário,
uma busca sem fim.

Enquanto ela observava alguém de perto,
olhou tão perto,
que já não conseguia ver mais nada ao certo.
E tudo se embaçava,
e a vista embaralhava,

ela percebeu que não é preciso se aproximar demais
pra descobrir as formas originais,
mas que de perto todo mundo é anormal
e isso fazia com que ela se sentisse igual.


(Texto e ilustração: Felipe Godoy)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Entre os passos, as mãos, a flor, e a razão...



aumenta,
como a velocidade do tempo
quando se quer dormir.
vai-se falando, andando,
sozinho, mas pra encontrar,
daqui à poucos passos já vai estar,
tentando nunca estragar,
convencendo-se de que pode ser melhor
e será...
aumenta,
e quem lê isso agora comenta:
- do que ele fala?
eu falo de coisas que nem sei descrever
escrevo sem nem perceber.
escrevo sobre ele e vocÊ.

(ilustração e texto: Felipe Godoy)

terça-feira, 28 de abril de 2009

E se pudéssemos "Ensacar"...



... o que você ensacaria?

Quero caçar estrelas com uma sacola,
que amarrada á um barbante.
conseguiria capturar mais que vento somente,
ensacaria gente.
Aqueles que flutuam, e voam alto.
Pra trazer de volta, e perguntar;
Como é que esses conseguem flutuar?

(texto e desenho: Felipe Godoy)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Falando de sentimentos




Um timbre de voz avultado
palavroso e, às vezes, calado.
Tudo resumido no nervosismo,
dosado em mãos que sentem frio.

Pernas militantes,
o corpo treme,
a miopia cresce
o chão estremeçe
a veia entope
o sangue para
e morre o amor
que nasceu sem tara.

(Felipe Godoy - Texto e desenho)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Algo semelhante a uma crônica mal escrita!


A blusa macia uma flanela xadrez, gasta, suja, cheirando a alcool e cigarro, que tanto admirei, parecia um momento mais comum, aquele blusa eu não há vi mais, mesmo de longe, tão longe, foi a época em que eu mais suspirei diariamente, mas tão longe! mas aí vi o dono dela, e eu não sabia que ele continuria tão belo, se ficasse mais bonito ía piorar, hoje eu não estou nos meus grandes dias, mas existe coisas que eu queria ter dito pra muitas pessoas há muito tempo, sobre o dono da flanela, ou com próprio o dono da blusa, tarde demais! bom, mas também, não iria adiantar ter dito nada. O ambiente estranho não me intimidava mas se eu não conheçesse algo semelhante a alcool talves não dissese isso tão levemente, bom ótimo momento pra ir buscar uma bebida gelada! tirei as moedas do bolso ajuntei com outras aqui a e outras a colá e quando só ouvi um Oi vindo ao meu ouvido, um Oi de surpresa! dei uma resposta qualquer acredito que tenham entendido isso, ou algo assim como qualquer coisa ... só a porrada do som alto na minha cabeça, foi sulficiente, para eu não lembrar mais!

Texto e Desenho: Gabriela Godoy

Me auto-fotografarei



as núvens vão passando
e vamos nos fotografando
aos poucos nos tornamos
retratos de olhar.
às vezes não entende
porque a vida estende
e nos deixa aqui pensar.

seremos retratos na parede
lembranças de quem cresce
de quem esquece um lembrete.

um dia então,
alguém vai olhar
e ousar perguntar:
- quem é este que tentou se auto-fotografar?

(Felipe Godoy - Texto e desenho)

sábado, 14 de março de 2009

Uma Tarde


Porque eu fiquei ali sentada sem ter o que fazer, era uma tarde tão quentinha, e um moço me olhando do outro lado do banco, era um rosto em que parecia que eu já tinha visto, ele tinha cara de triste, de tristeza mesmo, como se algo estive fora do controle a muito tempo, e ele não soubesse concertar, eu não sabia porque ele me olhava, mas eu queria continuar retribuindo meu olhar, parecia que isso fazia bem pra ele, como se alguém estivesse o vendo ali, e soubesse que ele existia, era um moço jovem, poderia dizer da minha idade, mas já tinha cara de preocupação, eu senti que fiz bem ao rapazinho, que demorou a se lenvatar dali do banco para ir para algum outro lugar, parecia mas forte, com mais vontade não sei dizer ao certo, e antes a touca o cobria e as mãos no rosto davam um ar mais de curiosidade do que o escondia.
fiquei ali sentada sem ter o que fazer e acho que acabei fazendo bem pra alguém, fiz alguém se sentir melhor, ali sentada sem precisar dizer nada!

Texto e Desenho: Gabriela Godoy

terça-feira, 3 de março de 2009

Cuspa sem receio.



e ninguém nunca saberá a fórmula do amor.
tentar é o que se deve fazer,
ou o que não se deve temer.
as decepções virão,
os buracos ficarão.
alguém sempre vai ter razão.
Os esgotos não fedem atoa,
nós que rejeitamos aquilo que nos
enche, numa boa.
quem cospe, ou é porco,
ou é tão nojento a ponto de não querer
engolir a própria saliva.
e que de lição isso sirva,
escarremos o que faz mal à vida.

(texto e desenho: Felipe Godoy)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Mundo


Nosso mundo é descoberto,
Nosso mundo não tem teto
Aonde eu irei me proteger

Com meus olhos juvenis
Aonde eu quero logo descobrir
Um grande lugar aonde eu posso respirar
Sem alguém pra me parar

Eu sou livre, eu sou grande
Mas eu sou uma menina
Numa vontade constante
De não ser mais um errante
Fingindo ser feliz!

Nosso mundo não tem cara
Nosso mundo não tem corpo
Terreno descampado
Um ambiente quase deprimente

Aonde uns não aguentam e
Aonde cada ruga no rosto arde
Aonde cada minuto do ponteiro dói
Quando uns desistem e pedem pra parar

O mundo é um
Mas somos um coletivo
Nosso mundo é grande
Nosso grande mundo sólitário
Terreno descampado
Aonde eu irei me proteger!

Texto e Desenho: Gabriela Godoy

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Me apoio na janela



Parei na janela
e quem passa seguindo olhando pro chão,
também vacila num tropeço inesperado.
Enquanto minha vó devaneia com as músicas dedilhadas
no antigo piano que fica na sala,
minha tia diz que é preciso ter olhos nas costas.
mas na maioria das vezes nem escuto nada,
estou em outra morada,
eu sou a janela.
Eu não falo, eu vejo,
eu deixo que olhem através d mim.
Eu sou um buraco na parede. parado.
me fecham e reabro,
são cabeças apoiadas em mãos,
serenatas que vem e vão.
eu sou a janela
que pula o ladrão.

(desenho e texto: Felipe Godoy)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Eles



e quem se aproxima
sempre busca alguma coisa
há aqueles que querem amizade,
aqueles que exploram da boa vontade,
aqueles que puxam saco pra tirar vantagem,
sempre tem
sempre vem alguém
alguns prestam, otros não,
alguns são feios e nem chupam limão.
alguns querem apenas um lugar num coração.

(texto e desenho: Felipe Godoy)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Acabou-se



acabou-se o mundo,
não. é mentira,
o mundo tem tempo
o mundo é vento
o mundo é silêncio
o mundo é movimento.
Acabou-se o segundo,
sim. esse se passou,
esse vai correndo e vem outro logo atrás
pra tomar o lugar e o ponteiro rodar.
acabou-se a canção,
cadê a roda de violão?
já chegou a solidão.
Chorar não resolve nada,
acabaram-se as lágrimas
se instalaram as mágoas.
Acabou-se a história,
fechou-se o livro,
ficou a memória.

(texto e desenho: Felipe Godoy)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Mais Uma xícara de café.



fui na casa de alguém que me ofereceu café
quando eu já me ia embora.
eu esperava um café forte e amargo.
ninguém nunca faz café como eu gosto,
eu aceitei o café. levei o copo à boca.
por surpresa que me surpreendeu.
eu tomei o melhor café que alguém já me ofereceu.
um café doce como eu gosto.
e não tão quente como fogo.
é tão bom ser surpreendido assim,
me senti bem nesse momento. me senti como fermento
que ajuda algo à crescer...
gostei de ter me arriscado pela xícara de café.
eu já ia embora, e nem deu tempo de dizer:
Mais uma xícara de café, eu queria beber!


(Desenho e texto: Felipe Godoy)

sábado, 24 de janeiro de 2009

Querendo Encontar


Pedro Acorda.
O dia amanheçe e
Ele não tem o que fazer
Busca sonhos e frutos
pegas as malas e saí
Simplismente Saí.

Não sabe a hora que vai voltar
Talvez nem pensa em voltar
Só quer conheçer o mundo
Gostos, Cores, Energias, Sentimentos ...
Não sabe o que vai encontrar
Mas quer experimentar

Caminha um ou dois quilometros
Sem parar, pareceria ter
dado a volta ao mundo de tanto andar
Mas era pouco para Pedro
Não bastava uma ou duas voltar
Para ele se cansar

Pedro sonhador e buscador de seus sonhos
Nunca irá parar!

Texto e desenho: Gabriela Godoy

O lembrar



é tão comum ver gente falando,
e tão fantástico ver de tudo uma criança falar,
isso faz a gente lembrar,
recordar, rever,imaginar, entender,
que tempos distantes,
éramos elefantes, filhotes elefantes
que agarravam a tromba na calda da mãe
pra não se perder.
Como é bonito viver.
Como é bonito cair, como é bom levantar.
como é estranho esquecer,
que é preciso ter,
alguém, pra poder amar.

ontem, eu me lembrei de ouvir,
me privei de falar,
e o que eu ia dizer, esqueci.
hoje eu me lembrei
eu pedi pra que me ouvissem e falei,
ontem eu acertei.


(desenho e texto: Felipe Godoy)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Pule do último andar



voar
Sustentar-se ou mover-se no ar
é o que muitos almejam encontrar.
em breve alguém conseguirá.

quem sabe, como nos sonhos seja possível
e consigamos flutuar dando passos no invisível,
embora arriscado e imprevisível.

há quem diga que consegue tal feitio
há quem prefira viver no solo à sonhar que é um avião
enquanto o outros dizem
que é loucura não se ter os pés no chão.

crie asas
e me ensine a voar
assim vou poder ver e acreditar.
crie asas
e pule do último andar
se for capaz de não se espatifar.

(texto e ilustração: Felipe Godoy)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Uma canção para Marco



Marco queria apenas cantar.
Queria que alguém o ouvisse e foi procurar.
Saiu de casa, pegando o violão e um chapéu.
Pegou também um cachicou velho de bolinhas brancas.
A rua era fria, e ninguém nesse horário saia.
Apenas durmia.
Marco começou à dedilhar algumas notas soltas que dedicava ao luar.
Marco lembrou da prisão e dos tempos em que morou na rua.
Ele nem percebeu que de um prédio perto de onde tocava, desceu uma moça que poderia ser sua filha ( se ele tivesse filhos e fosse casado). A jovem tinha cabelos curtos e pretos, como se fora cortado com ajuda de uma cuia, vestia uma camisola velha e um casaco vermelho por cima, que destava seu corpo pequeno.
Com o olhar voltado pro violão de Marco, ela pediu:
- Toque uma canção?
E Marco não exitou, e foi tocando, dedilhou uma música que nunca havia antes tocado, e era a música mais bionita que ouvia. Quando pensou em contar pra joven que a canção era muito bela, e não sabia de onde viera, cadê ela? A menina não estava mais alí.
marco então, voltou para casa.
Quando chegou a seu quarto, viu uma certa desorganização em seu guarda roupas
e em cima da cama estava um casaco vermelho.
o mesmo usado pela garota da rua, só que agora com um bilhete escrito:
- Aquela canção que tocaste hoje para mim, é sua!

Felipe Godoy

domingo, 9 de novembro de 2008

A luz antes do Túnel



Desencontrei do caminho
desencontrei de todos
desencontrei de tolos
desencontrei dos outros

fechei os olhos pra eu mesmo
fechei os olhos pros cômodos
fechei os olhos pra gregos
fechei os olhos pros âmbitos

sozinho não se consegue muito
sozinho não se tem amigos
sozinho não se tem assunto

abri os olhos de um sono
me assustei com a claridade da sala
percebi que a luz antes do túnel
nunca foi um engano


(Felipe Godoy)

sábado, 1 de novembro de 2008

PARALELO IMAGINÁRIO


[Se puder leia num lugar totalmente escuro, aonde só haja a iluminação do seu monitor, caso contrário não terá muito eveito.]

Em um dia qualquer, de um ano qualquer, encontravam-se em um lugar desconhecido, que ao mesmo tempo foi tornando familiar para as duas pessoas em uma única situação, que não sabem se eram conhecidos ou se conheceram em tremenda situação ...

horas depois de se conhecerem e um extremo silêncio pensativo, soam palavras atormentadas da boca de Ruth

- Ruth:
Só estamos nós aqui Ernesto
nessa fria sala, que apenas soam
os ecos da letras no canto das janelas
que hora um responde
que hora o outro
espera uma resposta


- Ernesto:
Nessa sala escura onde
o frio contundente
e é apenas de um comodo paralelo
externo a esse ou qualquer mundo genioso
que nem ao menos sabemos se é verdadeiro


- Ruth:
Se isso for incidir em ser qualquer coisa
pode ser uma coisa qualquer
ou que cause intenso um mal-estar


- Ernesto:
O único poder que vejo agora
é o de imaginar pode ser um raciocinar malcriado
ou de um lamento


- Ruth:
De um lamento eu não temo
porque sei da consciência de mim mesmo


- Ernesto:
Conciencia de sim mesmo?
Isso pode ser um risco
ser uma ilusão Ruth
aqui pode ser um lugar incerto
para nós estarmos, pode ser um abismo.


- Ruth:
Mas aqui é apenas um comodo paralelo
não há perigo


- Ernesto:
Sim, um suposto paralelo imaginário


- Ruth:
Ernesto tô contando botões ...


- Ernesto:
Quer um cigarro Ruth?


- Ruth:
Ernesto, como pode ascender um cigarro num lugar como esse?


- Ernesto:
Há Ruth, meu raciocinar-malcriado fala por mim


- Ruth:
Olha, Ernesto, tive uma idéia
vamos falar até nossas palavras acabem
até que nossa boca secar
até aonde nossa respiração não aguentar mais
assim a agente pode ver no que isso vir à dar


- Ernesto:
Vamos sim Ruth, me dê as suas mãos,
afinal estamos em um verdadeiro paralelo imaginário
me conte sua história?
e logo veremos quem escolhe
se vamos ficar por aqui pra sempre é realmente é a gente(?).
ou se tem alguém nós observando


- Ruth:
Qual história, Ernesto?
eu não tenho história, mas que idéia essa sua


- Ernesto:
Nossa Ruth, como assim você não tem história?
todos temos histórias


- Ruth:
Vim parar aqui como você
se você quer que eu te conte a minha história
essa aqui é única que eu conheço
de quando vim parar aqui
acho que antes eu não estava em lugar nenhum
e porque teria um alguém nos observando?
porque esse alguém seria tão cruel a isso?
De nos deixar num lugar só para satisfazer
seu desejo de ter pessoas numa situação dessa
não seja tão tonto Ernesto
seu imaginário está ilusório demais
que não tem nada para fazer aqui isso eu já sei
mas criar um outro alguém para nós acompanhar aí piada
afinal isso tudo aqui, essa nada aqui, é um simples paralelo imaginário.


- Ernesto: ... (pensando) ...!



Desenho e Texto: Gabriela Godoy

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Pouco Oxigênio


Era tarde demais para estar na rua, só as estrelas presenciava aquela momento em que
só ouviam os estilhaços caindo no chão, achei que fosse inquebrável, eu inseguro, não tive como não me sensibilizar, foi como uma esganadura em meu pescoço, mas era os estilhaços do meu coração, achei que nunca fosse quebrar. Ainda mais dessa maneira tão indiscreta, queria apoiar-me em qualquer superfície, mas só encontrava meus bolsos vazios, o dia estava longe de clarear, inclinei minha cabeça pesada, meu paladar estava insosso, havia um imenso dissabor na minha boca que pouco eu saberia explicar o que acontecia comigo!

Desenho e texto: Gabriela Godoy

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Dei tchau



ontem dei tchau
dei tchau pro mundo
dei tchau pra tudo

ontem dei tchau
dei tchau pro dia
e fui curtir a noite
amanhã será o ontem de algum hoje(?)

(Felipe Godoy)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

... Ou não!




Ontem ao criar um novo desenho,
eu pensava no nome das coisas,
mas nem gosto muito de usar a palavra "coisas".
Porque nariz se chama nariz?
e olhos são olhos?
Algumas palavras são bem estranhas.
Porque não boca em vez de orelhas?
A Origem dos nomes,me digo eu mesmo,
acho que todos eles devem ter uma explicação lógica,
ou não.
Como no mundo real,
tudo tem uma explicação lógica, ou não!!!

(Felipe Godoy)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Fada dos dentes arrependida




Ser desonesto esse do qual os conto esse conto.
Ele, ou ela, não tem nem sexo definido,
nem amigo do infinito, nem grito.
Gosta de nos infernizar com um zumbido no ouvido.
O nome usado pelas crianças é FADA.
Pra mim, poderia se chamar de mal-amada.
Certa vez, num momento de escassez,
eis ela que arranca o próprio dente de uma vez.
Arrumou uns trocados em troca
do dente que fez falta.
Burrice! Gritou sua consciencia depois do ato insano,
não menos que profano, um engano.
Um consolo.
Pesado como tijolo.
Feliz esteve outrora,
porém a falta de um dente à deixava triste agora.

(texto e desenho: Felipe Godoy)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Eu sou um estranho pra mim mesmo





Gosto de ler livros na madrugada.
É bom ler os contos de terror na madrugada.
Moro sozinho, e a casa fica mais cheia quando eu leio,
apesar de não haver sons de Tv nem rádio, muito menos de pessoas conversando, há os sons dos meus pensamentos.
Numa dessas madrugadas enquanto escolhia o próximo livro, ví algo se mover perto da porta da sala, confesso que tive muito medo, adrenalina pura, mas fui verificar, e quando lá cheguei, era uma espécie de ser de outro mundo, e parecia ter saído de um dos meus livros, fui à cozinha, bebi um ou mais copos dágua, ainda com a luz apagada, tentei dormir essa noite sem pregar os olhos, pensando em voltar ou não pra sala.
Voltei à sala, e me deparei com um espelho, que eu não lembrava ter comprado, fiquei assustado ao ver refletido no espelho a imagem da mesma criatura que eu via à poucos minutos antes me rondando. Era eu refletido, Eu era um personagem, eu era um estranho pra mim mesmo!

(Felipe Godoy)

sábado, 4 de outubro de 2008

História de uma Confissão



MICRO-CONTO
Literatura Marginal


História de uma Confissão


Apago a luz e tento dormir mais a obsessão de estar em outro lugar, a todo momento, me dá nos nervos ficaria tranquila se nunca tivesse conhecido algo assim, mas a obsessão me atormenta, ascendo um cigarro e logo trago os restos de comida da minha geladeira, fumo um, dois, três, logo acabo com o terceiro maço.

Eu confesso que troquei o meu vício, sempre faço isso troco um vício por outro estou com mania de bebidas, já basta a comida que me consome mas tem que ser daquelas bebidas baratas, daquelas de boteco, daquelas bebidas bem fodidas de ruim, se não, ela não serve pra mim.

Há anos me recordo, já foram livros, incensos, revistas, truco, roer, cheirar coisas, vestir a mesma roupa velha no domingo, verificar se tranquei a porta mil vezes, ver se abaixei o gaz da cozinha, fechar torneiras, guardar mil cacarecos sem utilidade, vidros de perfume, lixa de unha da campanha eleitoral passada, depois jogar tudo fora e me arrepender, quando vi que precisava de algo que joguei fora.
ultimamente voltei aos incensos, eu mesma já me repeti mil vezes que isso faz mal a saúde, que a droga do incenso não presta que é toxica aquela maldita fumaçinha que tanto me seduz e impregna nas minhas narinas.

mas eu já estrago ela diariamente pouco importa agora, me lembro dos livros velhos que eu tinha pouco passava o olho para ler nem ao menos me lembrava daqueles títulos pensava só em tirar o pó acumulado, mas, eu vivo acumulando coisas, nesse últimos 32 anos venho acumulado vícios e dores!


texto e imagem: Gabriela Godoy

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Os óculos sobre a mesa




Tira teus óculos
e me veja com teus olhos nús,

Cubra os olhos
com palpebras escuras
e tente me ver,

Coloque as lentes
e diga-me :
o que sou pra você ?


Felipe Godoy

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Chuva e Peixes



fiz essa música ontem à noite
e resolvi ilustrá-la,
fiquei pensando naquelas pessoas
que tem medo de mostrar quem realmente são...
por isso um peixe em corpo de gente,
por isso correr na chuva sem ter medo de se molhar...


Felipe Godoy

domingo, 28 de setembro de 2008

Permita-se


Tenho receio de crescer,
20 anos é pouco
pra quem ainda tem um mundo pra entender.
Quero voltar atrás,
nem que seja um ano à menos
faço idéia que não dá mais,

me perguntaram um dia
em frases escritas em uma carta que veio de longe
qual o melhor ano da tua vida ?
e sem querer respondi que era o qual eu vivia naquele instante.

Quao grande foi minha tristeza
que debrucei-me na mesa
e me permiti refletir:
devemos nós fazer tudo que queremos
sem tentar desistir ?

as horas passam relativamente
e são sempre o contrário pra gente
amanhã tudo pode acabar
sem ter tempo de voltar ou gritar.


(desenho e texto: Felipe Godoy)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Fuja, mas não Corra!


Fuja, mas não corra...
uma vez pensei assim,
fiquei com medo de mim
uma vez me peguei em completa concentração
pois eles sempre dizem
que a pressa é inimiga da perfeição!


(texto e desenho: Felipe Godoy)

sábado, 13 de setembro de 2008

A sujeira da calçada de Fidélia



Seu lar parecia mais um velho terreno baldio
Não tinha mais cara de casa
Não tinha mais cara de romance
O lixo à acumulava na sua calçada
Já não tinha mais endereço o lugar aonde ela habitava

Fidélia estanca o sangue
Com a presença que já era longa de Abelardo
A olhar o seu desparafusar espontâneo das juntas
começava à atrofiar
Fidélia clareava as roupas com as gotas salgadas
Que escorria de seus olhos enquanto as lavava

Com inúmeras facadas Abelardo à acertou
Mas eram facas imaginárias que Fidélia
Amargurou até seu sangue escorreu


Úmido seus olhos sempre estavam
Espaço vago, um vácuo tornou o seu vagar
Resoluta e ao mesmo tempo sem respostas

Com extrair do seu coração com a
ponta da faca Abelardo o arrancou
Ninguém habitava mais aquele lugar
Mais alguém saqueou um coração
E não se importou com a devolução

Com uma grande Emenda
Fidélia quase enferrujou!


Texto e Desenho: Gabriela Godoy

domingo, 7 de setembro de 2008

O Menino Mórbido


Meu rosto verde, minha face irregular
a podridão que corre no meu sangue
rançoso nada virtuoso
não posso limpa-lo

os restos meus é uma completa devolução
as estruturas dos ossos se desossam sem parar
minha coloração verde
minha única coloração verde
fora o ranço que me envolve


o rancor faz meus dentes rangerem
mais minha alma é doce, bela é plena
ramalhetes comprados murchos e enterrados
a fábula faísca numa faceta sem fim


minha pele se descola da carne
velha e dura, me desmanchando
por completo até
um dia que não irei mais existir
gostaria que esse dia nunca chegasse
porque depois dali eu realmente não irei mais existir


me sinto único, porém
um dos seres mais desgraçados a existir
não devo queixar-me?
devo aceitar-me?
sendo eu que sou um ser humano
homem racional, pensante, mas o que sou
não é a carne podre que me vêem
mas o que não podem me ver!

Texto e Desenho: Gabriela Godoy

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A mágica sem magia !




Uma vez eu encontrei um mágico,
eu particularmente gosto dos mágicos,
eles usam aquelas cartolas, sempre quiz ser um,
mas faltou-me habilidades,

Pois bem,
Eu passava por uma rua cheia e movimentada
e o ví, ele trajava roupas de Mágico,
por isso o reconheci,

logo o pedi pra que ele uma mágica pudesse fazer,
e assim me mostrar todo seu poder,

Ele pediu meu óculos rachado
eu o entreguei desconfiado,

Ele imediatamente o concertou
normalmente, sem usar o poder que contou,

Então me devolveu os óculos enquanto dizia:
- A mágica pode ser feita a qualquer hora,
mesmo sem o uso da magia!


(Felipe Godoy)