31 de março de 2008

Vulto no asfalto

Tarde da noite
na hora em que a porta bate
o vulto foge pro asfalto
dançava ao som do silêncio
de um quarteto em cordas mudas
mas na hora de ir embora o vulto não queria
o vulto tinha medo de sua sombra no asfalto
dançava pra se distrair
com seus sapatos novos
sapatiava até cansar
amanheçia e derrepente
um táxi para sobre ele
e ele some cantando pneu
as seis horas da manhã
para completar a sua rotina matinal.

(Gabriela Godoy)

Contando Travessas

Catarina se descobre vunerálvel
entra em um momento rotativo em sua cabeça
menlancólica e não para de pensar nas travessas
que se repete em aparecer
vendo passando em sua direção
catarina se desespera: mal respira e esperava passar
uma, duas, três
e a quarta travessa
se descubre com medo de tentar

acendia as velas pois achava que era o fim
ter medo de tentar? não se pudesse se máscarar

apagará as velas e tantava se concentrar
um suspiro a deixará lúcida.

(Gabriela Godoy)

Medo

Como fungos em uma gaveta
Júlio não sentia nada

ele era jovem
se aproximava
lentamente das pessoa

sempre o medo acompava Júlio
em quase todos os momentos
e o velho medo já era companheiro
medo de que oras?
apenas medo.
medo do que ele é?
medo do que ele seria?

alguém sabe o que julio é?
Júlio se pergunta
incansavélmente
o que ele seria?
pra que ele servia?

mais quem se importa com júlio?
todos!
todos quem?
todos!
mais quem seria todos?
se Júlio não tinha ninguém?

Ahhh Júlio achava
que não tinha ninguém
Júlio na multidão
o medo e crises
o apavorava e Júlio
não notava
que todos o notavam.

(Gabriela Godoy)