Tarde da noite
na hora em que a porta bate
o vulto foge pro asfalto
dançava ao som do silêncio
de um quarteto em cordas mudas
mas na hora de ir embora o vulto não queria
o vulto tinha medo de sua sombra no asfalto
dançava pra se distrair
com seus sapatos novos
sapatiava até cansar
amanheçia e derrepente
um táxi para sobre ele
e ele some cantando pneu
as seis horas da manhã
para completar a sua rotina matinal.
(Gabriela Godoy)

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