26 de fevereiro de 2009

Mundo


mundo descoberto
aonde eu irei me proteger
Com meus olhos juvenis
aonde eu quero descobrir
lugares aonde eu possa
vivenciar sem alguém pra me parar
numa vontade constante
de não ser mais um errante
tentando ser feliz

mundo sem cara sem corpo
a ruga no rosto arde
o minuto do ponteiro que dói
desistentes pedem pra parar
mundo sem cara sem corpo
terreno descampado.

(Gabriela Godoy)

25 de fevereiro de 2009

Me apoio na janela



Parei na janela
e quem passa seguindo olhando pro chão,
também vacila num tropeço inesperado.
Enquanto minha vó devaneia com as músicas dedilhadas
no antigo piano que fica na sala,
minha tia diz que é preciso ter olhos nas costas.
mas na maioria das vezes nem escuto nada,
estou em outra morada,
eu sou a janela.
Eu não falo, eu vejo,
eu deixo que olhem através d mim.
Eu sou um buraco na parede. parado.
me fecham e reabro,
são cabeças apoiadas em mãos,
serenatas que vem e vão.
eu sou a janela
que pula o ladrão.

(desenho e texto: Felipe Godoy)

14 de fevereiro de 2009

Eles



e quem se aproxima
sempre busca alguma coisa
há aqueles que querem amizade,
aqueles que exploram da boa vontade,
aqueles que puxam saco pra tirar vantagem,
sempre tem
sempre vem alguém
alguns prestam, otros não,
alguns são feios e nem chupam limão.
alguns querem apenas um lugar num coração.

(texto e desenho: Felipe Godoy)

13 de fevereiro de 2009

Acabou-se



acabou-se o mundo,
não. é mentira,
o mundo tem tempo
o mundo é vento
o mundo é silêncio
o mundo é movimento.
Acabou-se o segundo,
sim. esse se passou,
esse vai correndo e vem outro logo atrás
pra tomar o lugar e o ponteiro rodar.
acabou-se a canção,
cadê a roda de violão?
já chegou a solidão.
Chorar não resolve nada,
acabaram-se as lágrimas
se instalaram as mágoas.
Acabou-se a história,
fechou-se o livro,
ficou a memória.

(texto e desenho: Felipe Godoy)