6 de dezembro de 2009

Laura


Laura, a menina segue a noite, como o ponteiro segue no relógio, constantemente!
as vezes ela flutua sem perceber, mas está no chão, as vezes ela está no chão,
mas flutua mutuamente, coisa de louco não é?!
eu tbm não sei o que Laura faz, mas ela é uma menina legal!

as vezes vejo ela sorridente passando pela minha janela, as vezes vejo ela triste sem dar um oi, na minha janela
as vezes ela passa correndo, as vezes ela finje que não passou, mas eu vi as pernas dela.
as vezes ela se esconde por traz de uma calça, mas eu mesmo assim vi as pernas dela, passando com as calças.

eu descobri que ela não gostava de ficar naquela varanda, por causa de um dia, que me disseram: ninguém deu atenção à ela
aí sabe, ela finje ser metida, mas acho que ficou bom assim!
dá para perceber que ela está finjindo, ela não sabe ser metida, a Laura tem que ser a Laura
porque ela é mais legal sendo a Laura, do que sendo metida!
é, acho que foi por isso mesmo, que ela não fica mais na varanda, apoiada com os cotovelos, descandando uma manga
aliás ela também não anda frequentando mais a feira, será que porque ela não fica mais na varanda?
ou ela não fica mais na varanda porque não frequenta mais a feira?
bom, na verdade eu não sei

mas estou com saudades da Laura, ela fazia tanta coisa diferente, que me impressionava, achava ela uma menina legal
acho que a varanda também deve sentir falta dela, por onde a Laura deve estar andar?

acho que ela está sumida demais.

texto e desneho: Gabriela Godoy
[grafite]

18 de junho de 2009

Diferente mais bonito,


Vai, começe a olhar
os ladrilhos gastos no chão,
o quadro fotos caiu
o telefone tocou
ninguém ouviu
porque a música estava alta, demais.

Eu acho o diferente mais bonito
e todos dizem que é muito esquisito
eu gostar do que gosto.

Vai, começe a pisar
nas folhas caidas no chão
ouça o barulho que isso faz
e esqueça a idade em suas mãos
porque a música fica mais alta
se você quiser escutar.

Eu acho o diferente mais bonito
e todos dizem que é muito esquisito
eu gostar do que gosto.

(texto e desenho: Felipe Godoy)

3 de junho de 2009

Debruça-te



Debruça-te em próprias pernas
e começe a pensar.
Se é que podes salvar o mundo
sem saires de onde está.

Cante para fazer sorrisos,
sinta frio e calor.
Escondido, sinta a chuva,
e grite à mim o seu sabor.

Leve-me ao alto de uma bela árvore
e me conte teu segredo.
lá de cima eu te diria,
a vontade que tenho de quebrar o braço esquerdo.

Debruça-te em próprias pernas
e começe a pensar.
Se é que podes salvar o mundo
sem saires de onde está.

(texto e desenho : Felipe Godoy)

24 de maio de 2009

Carimbo


Descuídos
desejos desencantados
melancólico medo medonho
olhos de carimbo
volume nos bolsos
suas mãos protegidas
perigo certeiro doce desejo
te faz gaguejar
carimbo na face
seus olhos fagueiros
fácil adorar.


(Gabriela Godoy)

20 de maio de 2009

Olhando bem de perto.



Ela queria de perto ver tudo,
Ver por dentro.
olhar bem fundo.

Se bem pensarmos
todos somos assim,
curiosidade é necessário,
uma busca sem fim.

Enquanto ela observava alguém de perto,
olhou tão perto,
que já não conseguia ver mais nada ao certo.
E tudo se embaçava,
e a vista embaralhava,

ela percebeu que não é preciso se aproximar demais
pra descobrir as formas originais,
mas que de perto todo mundo é anormal
e isso fazia com que ela se sentisse igual.


(Texto e ilustração: Felipe Godoy)

7 de maio de 2009

Entre os passos, as mãos, a flor, e a razão...



aumenta,
como a velocidade do tempo
quando se quer dormir.
vai-se falando, andando,
sozinho, mas pra encontrar,
daqui à poucos passos já vai estar,
tentando nunca estragar,
convencendo-se de que pode ser melhor
e será...
aumenta,
e quem lê isso agora comenta:
- do que ele fala?
eu falo de coisas que nem sei descrever
escrevo sem nem perceber.
escrevo sobre ele e vocÊ.

(ilustração e texto: Felipe Godoy)

28 de abril de 2009

E se pudéssemos "Ensacar"...



... o que você ensacaria?

Quero caçar estrelas com uma sacola,
que amarrada á um barbante.
conseguiria capturar mais que vento somente,
ensacaria gente.
Aqueles que flutuam, e voam alto.
Pra trazer de volta, e perguntar;
Como é que esses conseguem flutuar?

(texto e desenho: Felipe Godoy)

2 de abril de 2009

Falando de sentimentos




Um timbre de voz avultado
palavroso e, às vezes, calado.
Tudo resumido no nervosismo,
dosado em mãos que sentem frio.

Pernas militantes,
o corpo treme,
a miopia cresce
o chão estremeçe
a veia entope
o sangue para
e morre o amor
que nasceu sem tara.

(Felipe Godoy - Texto e desenho)

23 de março de 2009


A blusa macia flanela gasta
cheirando à cigarro que eu admirava
bem mais gasta eu à vi novamente
eu sempre quis aquela blusa e o dono dela
parecia um momento mais comum
foi a época em que eu mais suspirava, tão longe!
e ele tão belo, se ficasse mais bonito não tinha mais caminho
e eu não estava nos meus grandes dias
existe coisas que eu queria ter dito há muito tempo
sobre o dono da flanela, e com próprio, tarde demais
e o ambiente estranho não me intimidava mas se eu não
conhecesse algo semelhante a uma bebidinha
talves não iria ter levado tão leve aquilo ali
ótimo momento pra ir buscar uma bebida e eu fui
tirei as moedas do bolso ajuntei com outras aqui
a e outras a colá e quando só ouvi um oi de surpreso
e cameçará música em outro ambiente
só som alto na minha cabeça foi sulficiente
para eu não me emportar mais com nada!

(Gabriela Godoy)

Me auto-fotografarei



as núvens vão passando
e vamos nos fotografando
aos poucos nos tornamos
retratos de olhar.
às vezes não entende
porque a vida estende
e nos deixa aqui pensar.

seremos retratos na parede
lembranças de quem cresce
de quem esquece um lembrete.

um dia então,
alguém vai olhar
e ousar perguntar:
- quem é este que tentou se auto-fotografar?

(Felipe Godoy - Texto e desenho)