24 de maio de 2009

Carimbo


Descuídos
desejos desencantados
melancólico medo medonho
olhos de carimbo
volume nos bolsos
suas mãos protegidas
perigo certeiro doce desejo
te faz gaguejar
carimbo na face
seus olhos fagueiros
fácil adorar.


(Gabriela Godoy)

20 de maio de 2009

Olhando bem de perto.



Ela queria de perto ver tudo,
Ver por dentro.
olhar bem fundo.

Se bem pensarmos
todos somos assim,
curiosidade é necessário,
uma busca sem fim.

Enquanto ela observava alguém de perto,
olhou tão perto,
que já não conseguia ver mais nada ao certo.
E tudo se embaçava,
e a vista embaralhava,

ela percebeu que não é preciso se aproximar demais
pra descobrir as formas originais,
mas que de perto todo mundo é anormal
e isso fazia com que ela se sentisse igual.


(Texto e ilustração: Felipe Godoy)

7 de maio de 2009

Entre os passos, as mãos, a flor, e a razão...



aumenta,
como a velocidade do tempo
quando se quer dormir.
vai-se falando, andando,
sozinho, mas pra encontrar,
daqui à poucos passos já vai estar,
tentando nunca estragar,
convencendo-se de que pode ser melhor
e será...
aumenta,
e quem lê isso agora comenta:
- do que ele fala?
eu falo de coisas que nem sei descrever
escrevo sem nem perceber.
escrevo sobre ele e vocÊ.

(ilustração e texto: Felipe Godoy)

28 de abril de 2009

E se pudéssemos "Ensacar"...



... o que você ensacaria?

Quero caçar estrelas com uma sacola,
que amarrada á um barbante.
conseguiria capturar mais que vento somente,
ensacaria gente.
Aqueles que flutuam, e voam alto.
Pra trazer de volta, e perguntar;
Como é que esses conseguem flutuar?

(texto e desenho: Felipe Godoy)

2 de abril de 2009

Falando de sentimentos




Um timbre de voz avultado
palavroso e, às vezes, calado.
Tudo resumido no nervosismo,
dosado em mãos que sentem frio.

Pernas militantes,
o corpo treme,
a miopia cresce
o chão estremeçe
a veia entope
o sangue para
e morre o amor
que nasceu sem tara.

(Felipe Godoy - Texto e desenho)

23 de março de 2009


A blusa macia flanela gasta
cheirando à cigarro que eu admirava
bem mais gasta eu à vi novamente
eu sempre quis aquela blusa e o dono dela
parecia um momento mais comum
foi a época em que eu mais suspirava, tão longe!
e ele tão belo, se ficasse mais bonito não tinha mais caminho
e eu não estava nos meus grandes dias
existe coisas que eu queria ter dito há muito tempo
sobre o dono da flanela, e com próprio, tarde demais
e o ambiente estranho não me intimidava mas se eu não
conhecesse algo semelhante a uma bebidinha
talves não iria ter levado tão leve aquilo ali
ótimo momento pra ir buscar uma bebida e eu fui
tirei as moedas do bolso ajuntei com outras aqui
a e outras a colá e quando só ouvi um oi de surpreso
e cameçará música em outro ambiente
só som alto na minha cabeça foi sulficiente
para eu não me emportar mais com nada!

(Gabriela Godoy)

Me auto-fotografarei



as núvens vão passando
e vamos nos fotografando
aos poucos nos tornamos
retratos de olhar.
às vezes não entende
porque a vida estende
e nos deixa aqui pensar.

seremos retratos na parede
lembranças de quem cresce
de quem esquece um lembrete.

um dia então,
alguém vai olhar
e ousar perguntar:
- quem é este que tentou se auto-fotografar?

(Felipe Godoy - Texto e desenho)

14 de março de 2009

Uma Tarde


Eu fiquei ali sentada sem ter o que fazer
era uma tarde tão quentinha
e um moço me olhando do outro lado do banco
era um rosto que eu parecia já tinha visto
ele tinha cara de triste, de tristeza mesmo
como se algo estive fora do controle a muito tempo
e ele não soubesse concertar, eu não sabia porque ele me olhava
mas eu queria continuar retribuindo meu olhar
parecia que isso fazia bem à ele
como se alguém estivesse o vendo ali
e soubesse que ele existia, era um moço jovem
poderia dizer da minha idade, talves mais velho
mas já tinha cara de preocupação
eu senti que fiz bem ao rapazinho
demorou a se lenvatar para para algum outro lugar
parecia mas forte, com mais vontade não sei ao certo
antes a touca o cobria e as mãos no rosto
davam um ar mais de curiosidade do que o escondia
fiquei ali sentada sem ter o que fazer
acho que acabei fazendo bem pra alguém
ali sentada sem precisar dizer nada.

(Gabriela Godoy)

3 de março de 2009

Cuspa sem receio.



e ninguém nunca saberá a fórmula do amor.
tentar é o que se deve fazer,
ou o que não se deve temer.
as decepções virão,
os buracos ficarão.
alguém sempre vai ter razão.
Os esgotos não fedem atoa,
nós que rejeitamos aquilo que nos
enche, numa boa.
quem cospe, ou é porco,
ou é tão nojento a ponto de não querer
engolir a própria saliva.
e que de lição isso sirva,
escarremos o que faz mal à vida.

(texto e desenho: Felipe Godoy)

26 de fevereiro de 2009

Mundo


mundo descoberto
aonde eu irei me proteger
Com meus olhos juvenis
aonde eu quero descobrir
lugares aonde eu possa
vivenciar sem alguém pra me parar
numa vontade constante
de não ser mais um errante
tentando ser feliz

mundo sem cara sem corpo
a ruga no rosto arde
o minuto do ponteiro que dói
desistentes pedem pra parar
mundo sem cara sem corpo
terreno descampado.

(Gabriela Godoy)