23 de março de 2009


A blusa macia flanela gasta
cheirando à cigarro que eu admirava
bem mais gasta eu à vi novamente
eu sempre quis aquela blusa e o dono dela
parecia um momento mais comum
foi a época em que eu mais suspirava, tão longe!
e ele tão belo, se ficasse mais bonito não tinha mais caminho
e eu não estava nos meus grandes dias
existe coisas que eu queria ter dito há muito tempo
sobre o dono da flanela, e com próprio, tarde demais
e o ambiente estranho não me intimidava mas se eu não
conhecesse algo semelhante a uma bebidinha
talves não iria ter levado tão leve aquilo ali
ótimo momento pra ir buscar uma bebida e eu fui
tirei as moedas do bolso ajuntei com outras aqui
a e outras a colá e quando só ouvi um oi de surpreso
e cameçará música em outro ambiente
só som alto na minha cabeça foi sulficiente
para eu não me emportar mais com nada!

(Gabriela Godoy)

Me auto-fotografarei



as núvens vão passando
e vamos nos fotografando
aos poucos nos tornamos
retratos de olhar.
às vezes não entende
porque a vida estende
e nos deixa aqui pensar.

seremos retratos na parede
lembranças de quem cresce
de quem esquece um lembrete.

um dia então,
alguém vai olhar
e ousar perguntar:
- quem é este que tentou se auto-fotografar?

(Felipe Godoy - Texto e desenho)

14 de março de 2009

Uma Tarde


Eu fiquei ali sentada sem ter o que fazer
era uma tarde tão quentinha
e um moço me olhando do outro lado do banco
era um rosto que eu parecia já tinha visto
ele tinha cara de triste, de tristeza mesmo
como se algo estive fora do controle a muito tempo
e ele não soubesse concertar, eu não sabia porque ele me olhava
mas eu queria continuar retribuindo meu olhar
parecia que isso fazia bem à ele
como se alguém estivesse o vendo ali
e soubesse que ele existia, era um moço jovem
poderia dizer da minha idade, talves mais velho
mas já tinha cara de preocupação
eu senti que fiz bem ao rapazinho
demorou a se lenvatar para para algum outro lugar
parecia mas forte, com mais vontade não sei ao certo
antes a touca o cobria e as mãos no rosto
davam um ar mais de curiosidade do que o escondia
fiquei ali sentada sem ter o que fazer
acho que acabei fazendo bem pra alguém
ali sentada sem precisar dizer nada.

(Gabriela Godoy)

3 de março de 2009

Cuspa sem receio.



e ninguém nunca saberá a fórmula do amor.
tentar é o que se deve fazer,
ou o que não se deve temer.
as decepções virão,
os buracos ficarão.
alguém sempre vai ter razão.
Os esgotos não fedem atoa,
nós que rejeitamos aquilo que nos
enche, numa boa.
quem cospe, ou é porco,
ou é tão nojento a ponto de não querer
engolir a própria saliva.
e que de lição isso sirva,
escarremos o que faz mal à vida.

(texto e desenho: Felipe Godoy)

26 de fevereiro de 2009

Mundo


mundo descoberto
aonde eu irei me proteger
Com meus olhos juvenis
aonde eu quero descobrir
lugares aonde eu possa
vivenciar sem alguém pra me parar
numa vontade constante
de não ser mais um errante
tentando ser feliz

mundo sem cara sem corpo
a ruga no rosto arde
o minuto do ponteiro que dói
desistentes pedem pra parar
mundo sem cara sem corpo
terreno descampado.

(Gabriela Godoy)

25 de fevereiro de 2009

Me apoio na janela



Parei na janela
e quem passa seguindo olhando pro chão,
também vacila num tropeço inesperado.
Enquanto minha vó devaneia com as músicas dedilhadas
no antigo piano que fica na sala,
minha tia diz que é preciso ter olhos nas costas.
mas na maioria das vezes nem escuto nada,
estou em outra morada,
eu sou a janela.
Eu não falo, eu vejo,
eu deixo que olhem através d mim.
Eu sou um buraco na parede. parado.
me fecham e reabro,
são cabeças apoiadas em mãos,
serenatas que vem e vão.
eu sou a janela
que pula o ladrão.

(desenho e texto: Felipe Godoy)

14 de fevereiro de 2009

Eles



e quem se aproxima
sempre busca alguma coisa
há aqueles que querem amizade,
aqueles que exploram da boa vontade,
aqueles que puxam saco pra tirar vantagem,
sempre tem
sempre vem alguém
alguns prestam, otros não,
alguns são feios e nem chupam limão.
alguns querem apenas um lugar num coração.

(texto e desenho: Felipe Godoy)

13 de fevereiro de 2009

Acabou-se



acabou-se o mundo,
não. é mentira,
o mundo tem tempo
o mundo é vento
o mundo é silêncio
o mundo é movimento.
Acabou-se o segundo,
sim. esse se passou,
esse vai correndo e vem outro logo atrás
pra tomar o lugar e o ponteiro rodar.
acabou-se a canção,
cadê a roda de violão?
já chegou a solidão.
Chorar não resolve nada,
acabaram-se as lágrimas
se instalaram as mágoas.
Acabou-se a história,
fechou-se o livro,
ficou a memória.

(texto e desenho: Felipe Godoy)

26 de janeiro de 2009

Mais Uma xícara de café.



fui na casa de alguém que me ofereceu café
quando eu já me ia embora.
eu esperava um café forte e amargo.
ninguém nunca faz café como eu gosto,
eu aceitei o café. levei o copo à boca.
por surpresa que me surpreendeu.
eu tomei o melhor café que alguém já me ofereceu.
um café doce como eu gosto.
e não tão quente como fogo.
é tão bom ser surpreendido assim,
me senti bem nesse momento. me senti como fermento
que ajuda algo à crescer...
gostei de ter me arriscado pela xícara de café.
eu já ia embora, e nem deu tempo de dizer:
Mais uma xícara de café, eu queria beber!


(Desenho e texto: Felipe Godoy)

24 de janeiro de 2009

Encontar


Pedro
acorda
dia amanhece
quer sonhos e frutos
pegas as malas e saí

talvez não volte
gostos, Cores
energias, Sentimentos
não sabe o que vai encontrar
caminha um pouco
pareceria ter dado
à volta ao mundo
mas era pouco para Pedro
não bastava uma ou duas voltar
para ele se cansar
buscador de sonhos
Pedro sonhador.

(Gabriela Godoy)