28 de setembro de 2008

Permita-se


Tenho receio de crescer,
20 anos é pouco
pra quem ainda tem um mundo pra entender.
Quero voltar atrás,
nem que seja um ano à menos
faço idéia que não dá mais,

me perguntaram um dia
em frases escritas em uma carta que veio de longe
qual o melhor ano da tua vida ?
e sem querer respondi que era o qual eu vivia naquele instante.

Quao grande foi minha tristeza
que debrucei-me na mesa
e me permiti refletir:
devemos nós fazer tudo que queremos
sem tentar desistir ?

as horas passam relativamente
e são sempre o contrário pra gente
amanhã tudo pode acabar
sem ter tempo de voltar ou gritar.


(desenho e texto: Felipe Godoy)

23 de setembro de 2008

Fuja, mas não Corra!


Fuja, mas não corra...
uma vez pensei assim,
fiquei com medo de mim
uma vez me peguei em completa concentração
pois eles sempre dizem
que a pressa é inimiga da perfeição!


(texto e desenho: Felipe Godoy)

13 de setembro de 2008

Calçada de Fidélia

Não tinha mais cara de casa
não tinha mais cara de romance
O lixo acumulava na sua calçada
já não tinha mais endereço o lugar aonde habitava

fidélia estanca o sangue
com a presença que já era longa de Abelardo
a olhar o seu desparafusar espontâneo das juntas
começava à atrofiar
fidélia clareava as roupas com as gotas salgadas
que escorria de seus olhos enquanto as lavava

com inúmeras facadas Abelardo à acertou
mas eram facas imaginárias que Fidélia
amargurou

úmido seus olhos sempre estavam
espaço vago, um vácuo tornou o seu vagar
resoluta e ao mesmo tempo sem respostas

com extrair do seu coração com a
ponta da faca Abelardo o arrancou
ninguém habitava mais aquele lugar
mais alguém saqueou um coração
e não se importou com a devolução

com uma grande Emenda
Fidélia quase enferrujou!


Texto e Desenho: Gabriela Godoy

7 de setembro de 2008

O Menino Mórbido


Rosto verde
face irregular
restos
estruturas
dos ossos
desossando
coloração verde
única coloração
verde
ramalhetes
comprados
murchos
enterrados
mais uma
quase uma
fábula
de uma
faceta
sem fim
carne
velha
dura
pele
ranço

montro?
homem.

(Gabriela Godoy)

2 de setembro de 2008

A mágica sem magia !




Uma vez eu encontrei um mágico,
eu particularmente gosto dos mágicos,
eles usam aquelas cartolas, sempre quiz ser um,
mas faltou-me habilidades,

Pois bem,
Eu passava por uma rua cheia e movimentada
e o ví, ele trajava roupas de Mágico,
por isso o reconheci,

logo o pedi pra que ele uma mágica pudesse fazer,
e assim me mostrar todo seu poder,

Ele pediu meu óculos rachado
eu o entreguei desconfiado,

Ele imediatamente o concertou
normalmente, sem usar o poder que contou,

Então me devolveu os óculos enquanto dizia:
- A mágica pode ser feita a qualquer hora,
mesmo sem o uso da magia!


(Felipe Godoy)

30 de agosto de 2008

A vila de clemente

Numa vila de sonhos
eu me contorço, me desperto, me desamarro
das amarraras que insistem em me amarrar
mas só eu sei solta-las
mas só eu sei o truque
dos nós que insistem em me prender

um palitó, bem cortado e bem costurado
eu me visto dentro dele e um chapéu para
acompanhar e fazer um belo par

me sinto verde, me sinto roxo
me sinto sem ar suficiente para poder respirar
meu olho grande se arregala

um sapato apertado me arranca os calos
mais os calos voltam a se ferir
com sorriso meia boca eu Clemente
me contento com este amargo sorrir

Numa vila de sonhos
eu me contorço, me desperto, me desamarro
das amarraras que insistem em me amarrar
mas só eu sei solta-las
mas só eu sei o truque
dos nós que insistem em me prender!

(Gabriela Godoy)

25 de agosto de 2008

O Caçador de Flores



E porque nunca nos contentamos?
Afrânio estava na lista dos descontentados com a vida,
ele Tinha uma coleção de flores,
as mais belas e estranhas flores,
mas queria mais,
e correu atrás.


Nas Suas andanças pelo mundo
muitas flores Afrânio encontrou,
mas apenas uma,
sua atenção chamou;


Ficava dentro de uma cúpula de vidro,
protegida do indevido;
Afrânio aquilo logo avistou,
imediatamente a cúpula
ele quebrou,
e o sereno cheiro que a flor exalou
matou Afrânio, O caçador!


(desenho e texto: Felipe Godoy)

16 de agosto de 2008

Astúcia


Insone titubeava algumas vezes
nas calçadas de suas ruas
não tinha medo do escuro
mesmo nos dias em quais a luz do poste não acendia
Augusto angustiava-se e a expressão do seu rosto
e de sua voz cansada não mentia
mas ele era um moço
com uma aparência desprezível
para uma cuca tão fresca
jovem ninguém à de achar pelo gasto de seu incessante pensar
Augusto um ambulante pensante
arrastava um livro e uma caneca
num pedaço de pano velho que era sua bolsa de viagem
seu pé calejado resistia horas de vontade
de chegar de Augusto em algum lugar
mais só o que encontraram numa das ruas escuras
aonde augusto costumava passar
era essa 3x4 que um antigo vizinho de Augusto conseguiu avistar!

(Gabriela Godoy)

Rebeca

Rebeca parava em instantes
em seu longo pensar
um flutuar de ver e sorrir
minutos Rebeca só tinha
o refletir das águas para se olhar
um mundo colorido
igualzinho seu vestido
porém ela não o via brilhar
ela queria ser ela
mais se não houvesse ela nesse mundo
não seria a mesma Rebeca aqui estar.

(Gabriela Godoy)

9 de agosto de 2008

Medo dos Trouxas



Quem tira as expressões do teu rosto?
O medo?
o medo só me traz novas caras e bocas?
seriamos nós um bando de trouxas?

Mais fácil dizer que fazer,
isso vem do tempo dos avós,
é trouxa quem não vê...

Nada faz sentido
se você não procura o verdadeiro sentido
tudo começa a se formar quando há busca
quando estamos ainda no caminho.

eu não aprendi a arriscar,
preciso de ajuda ...
preciso aprender a cair pra levantar.


(Aquarela e texto: Felipe Godoy)