Numa vila de sonhos
eu me contorço, me desperto, me desamarro
das amarraras que insistem em me amarrar
mas só eu sei solta-las
mas só eu sei o truque
dos nós que insistem em me prender
um palitó, bem cortado e bem costurado
eu me visto dentro dele e um chapéu para
acompanhar e fazer um belo par
me sinto verde, me sinto roxo
me sinto sem ar suficiente para poder respirar
meu olho grande se arregala
um sapato apertado me arranca os calos
mais os calos voltam a se ferir
com sorriso meia boca eu Clemente
me contento com este amargo sorrir
Numa vila de sonhos
eu me contorço, me desperto, me desamarro
das amarraras que insistem em me amarrar
mas só eu sei solta-las
mas só eu sei o truque
dos nós que insistem em me prender!
(Gabriela Godoy)
30 de agosto de 2008
25 de agosto de 2008
O Caçador de Flores

E porque nunca nos contentamos?
Afrânio estava na lista dos descontentados com a vida,
ele Tinha uma coleção de flores,
as mais belas e estranhas flores,
mas queria mais,
e correu atrás.
Nas Suas andanças pelo mundo
muitas flores Afrânio encontrou,
mas apenas uma,
sua atenção chamou;
Ficava dentro de uma cúpula de vidro,
protegida do indevido;
Afrânio aquilo logo avistou,
imediatamente a cúpula
ele quebrou,
e o sereno cheiro que a flor exalou
matou Afrânio, O caçador!
(desenho e texto: Felipe Godoy)
16 de agosto de 2008
Astúcia

Insone titubeava algumas vezes
nas calçadas de suas ruas
não tinha medo do escuro
mesmo nos dias em quais a luz do poste não acendia
Augusto angustiava-se e a expressão do seu rosto
e de sua voz cansada não mentia
mas ele era um moço
com uma aparência desprezível
para uma cuca tão fresca
jovem ninguém à de achar pelo gasto de seu incessante pensar
Augusto um ambulante pensante
arrastava um livro e uma caneca
num pedaço de pano velho que era sua bolsa de viagem
seu pé calejado resistia horas de vontade
de chegar de Augusto em algum lugar
mais só o que encontraram numa das ruas escuras
aonde augusto costumava passar
era essa 3x4 que um antigo vizinho de Augusto conseguiu avistar!
(Gabriela Godoy)
Rebeca
Rebeca parava em instantes
em seu longo pensar
um flutuar de ver e sorrir
minutos Rebeca só tinha
o refletir das águas para se olhar
um mundo colorido
igualzinho seu vestido
porém ela não o via brilhar
ela queria ser ela
mais se não houvesse ela nesse mundo
não seria a mesma Rebeca aqui estar.
(Gabriela Godoy)
em seu longo pensar
um flutuar de ver e sorrir
minutos Rebeca só tinha
o refletir das águas para se olhar
um mundo colorido
igualzinho seu vestido
porém ela não o via brilhar
ela queria ser ela
mais se não houvesse ela nesse mundo
não seria a mesma Rebeca aqui estar.
(Gabriela Godoy)
9 de agosto de 2008
Medo dos Trouxas

Quem tira as expressões do teu rosto?
O medo?
o medo só me traz novas caras e bocas?
seriamos nós um bando de trouxas?
Mais fácil dizer que fazer,
isso vem do tempo dos avós,
é trouxa quem não vê...
Nada faz sentido
se você não procura o verdadeiro sentido
tudo começa a se formar quando há busca
quando estamos ainda no caminho.
eu não aprendi a arriscar,
preciso de ajuda ...
preciso aprender a cair pra levantar.
(Aquarela e texto: Felipe Godoy)
Manhã
5 de agosto de 2008
ABSinto Muito

Evenenada pelo que parecia ser
ela se encorajou a beber
aquilo que estava à mesa
não era mais que uma incerteza
era um veneno misturado em bebida
que lhe tiraria a vida
aquilo a fez suspirar
e toda sua vida fez passar
no ato de imaginar
que a dor que agora sentia
iria à matar...
morreu
mas morreu tentando
não morrendo apenas falando:
Eu sou capaz!
Ilustração e Texto: Felipe Godoy
18 de junho de 2008
SENDO verdade
com medo ele está?
acoado? assustado? refém ?
talvez pensando em muitas das alegrias e tristezas
que já passou dentro de si por muitas vezes,
mergulhando no interior do teu prório eu,
sendo o calço da mesinha da sala,
sendo o papel rabiscado que foi embolado,
sendo os cacos de vidro do copo que não terá mais serventia,
sendo um felino filhote que cai de um muro e se perde da maternidade.
sendo aquele livro encostado que ninguém nunca leu,
simplesmente tem capa que não agrada,
mas então não é verdade aquela frase que diz:
" não julgue o livro pela capa " (?)
entretanto também é verdade que nem sempre
as verdades são seguidas de verdade.
(desenho e texto : Felipe Nogueira Godoy)
10 de junho de 2008
Dias parecidos
Me chamo Cecilia
ontem eu acordei as 6h da manhã como todos os dias tomei rápido meu café trocando de canal, vesti meu casaco e partir. Era um dia bem frio, daqueles igual os que eu gosto, era junho e já havia começado o inverno, mais como aqui onde eu morro o inverno nunca chega no tempo certo, ninguém se acostuma com essas mudanças doidas de tempo, e isso é uma droga, manhã frias e tardes quentes, a gente acaba saindo com três casacos, final do dia acaba tirando tudo, pendurando na cintura carregando na mão e até pedindo pra colocar na bolsa de algum conhecido que esteje fazendo o mesmo caminho que gente na volta.
Mas hoje resolvi fazer diferente acordei mais cedo e tomei meu café devagar, nem liguei a tv, só para sentir que o dia estava começando diferente, ao invés de pegar o metro eu esperei o ônibus, desci e me dediquei a andar um pouco mais, alongar o trajeto, fiquei na aula entediada, olhando no relógio todo tempo, tinha oras parecia que eu não fazia parte daquele lugar, eu tinha até ânimo para sair de casa e começar o dia, mais as vezes da vontade de gritar, e desistir de tudo, no trajeto do ônibus eu ia contando cada viaduto, cada passarela coisas repetidas e parecia não terminar,
no centro da cidade entei em uma loja que vendem livros, discos antigos e trouxe um livro pra mim, com as folhas amareladas, não conhecia o autor, mais o peguei pra tentar lê-lo, mais a droga da televisão ainda acaba comigo, mais prometo termina-lo aintes do inverno acabar.
(Gabriela Godoy)
ontem eu acordei as 6h da manhã como todos os dias tomei rápido meu café trocando de canal, vesti meu casaco e partir. Era um dia bem frio, daqueles igual os que eu gosto, era junho e já havia começado o inverno, mais como aqui onde eu morro o inverno nunca chega no tempo certo, ninguém se acostuma com essas mudanças doidas de tempo, e isso é uma droga, manhã frias e tardes quentes, a gente acaba saindo com três casacos, final do dia acaba tirando tudo, pendurando na cintura carregando na mão e até pedindo pra colocar na bolsa de algum conhecido que esteje fazendo o mesmo caminho que gente na volta.
Mas hoje resolvi fazer diferente acordei mais cedo e tomei meu café devagar, nem liguei a tv, só para sentir que o dia estava começando diferente, ao invés de pegar o metro eu esperei o ônibus, desci e me dediquei a andar um pouco mais, alongar o trajeto, fiquei na aula entediada, olhando no relógio todo tempo, tinha oras parecia que eu não fazia parte daquele lugar, eu tinha até ânimo para sair de casa e começar o dia, mais as vezes da vontade de gritar, e desistir de tudo, no trajeto do ônibus eu ia contando cada viaduto, cada passarela coisas repetidas e parecia não terminar,
no centro da cidade entei em uma loja que vendem livros, discos antigos e trouxe um livro pra mim, com as folhas amareladas, não conhecia o autor, mais o peguei pra tentar lê-lo, mais a droga da televisão ainda acaba comigo, mais prometo termina-lo aintes do inverno acabar.
(Gabriela Godoy)
5 de junho de 2008
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