6 de maio de 2010

Voando


Coloquei açucar no pão
passei manteiga no café
enquanto pensava em quantas
cartas eu queria te escrever
por vezes você me deixava
com a cabeça voando
terminei meu café
e bastava qualquer
lugar aonde eu estar
continuava, e continuava
voando com você.

(G.Godoy)

4 de maio de 2010

Tempo


Sabendo que estou crescendo
ou crecida quanto qualquer
outro adulto
esse tempo que me engole
eu ouvia uma senhora
dizer para um moço
vou sentar ao seu lado
se ficar com medo
a velhice pega mesmo
e veio à gargalhar
recenti por um
longíssimo segundo
ser aquele moço
ouvindo isso de uma
senhora tão debochada
a garganta secou
foi de gelar.

texto e desenho: Gabriela Godoy
[tinta acrílica]

no meio do vermelho.



no meio do vermelho
tudo se destaca,
se não, se mata,
o vermelho é o sangue
é o fundo, é o mangue,
no vermelho eu vejo,
se não vejo, só desejo
e lá dentro tem amarelo e magenta
o vermelho é pra quem aguenta
é pra quem fica quando esquenta.
eu agora caibo no vermelho
como o olho de um albino coelho.


(felipe Godoy)

2 de maio de 2010

Vergonha




Vergonha
ver fronha
vergonha
ver gente
ver mente
ver o que se sente
envergonhadamente
sem sequer dar passo a frente
vergonha
ver fronha
tentando fugir
e voltar a dormir
do que se sonha
da escandalosa
vergonha.

(ilustração e texto: felipe godoy)

28 de abril de 2010

lá vem o dia das Mães.



... É como eu sempre quis falar:
a mãe da gente, não tem data pra Amar!

(Felipe Godoy)

21 de abril de 2010

A fuga

Seria em dois minutos sai batido sem me apresentar como quem foge pega a mala na estréia
se assusta com a platéia como quem entra antes da primeia chamada se envergonha e se recua
me apressei cabia uma pausa não acertei.

texto e desenho: Gabriela Godoy

21 de março de 2010

cena de filme,



(ilustração em caneta e tinta acrílica - felipe godoy)

3 de março de 2010

Pode não ser.



o que se quer ver
pode não ser
o que se vê

o que se acha guardado
pode não ser o que você guardou a um tempo atrás,
pode ser.
pode não ser.

o que se é,
pode não ser mais amanhã;


(texto e escultura: Felipe Godoy)

5 de fevereiro de 2010

Meu Ver




Quando eu tiro os óculos
eu digo:
- Vejo-te como uma pintura de perto.
e quem escuta
duvida que eu esteja certo.

Eu fico pensando
e tenho medo
medo de um dia não ver direito.
é que ver, por mais que eu olhe para algo estranho
é perfeito.

(ilustração e texto: Felipe Godoy)

6 de dezembro de 2009

Laura


Laura, a menina segue a noite, como o ponteiro segue no relógio, constantemente!
as vezes ela flutua sem perceber, mas está no chão, as vezes ela está no chão,
mas flutua mutuamente, coisa de louco não é?!
eu tbm não sei o que Laura faz, mas ela é uma menina legal!

as vezes vejo ela sorridente passando pela minha janela, as vezes vejo ela triste sem dar um oi, na minha janela
as vezes ela passa correndo, as vezes ela finje que não passou, mas eu vi as pernas dela.
as vezes ela se esconde por traz de uma calça, mas eu mesmo assim vi as pernas dela, passando com as calças.

eu descobri que ela não gostava de ficar naquela varanda, por causa de um dia, que me disseram: ninguém deu atenção à ela
aí sabe, ela finje ser metida, mas acho que ficou bom assim!
dá para perceber que ela está finjindo, ela não sabe ser metida, a Laura tem que ser a Laura
porque ela é mais legal sendo a Laura, do que sendo metida!
é, acho que foi por isso mesmo, que ela não fica mais na varanda, apoiada com os cotovelos, descandando uma manga
aliás ela também não anda frequentando mais a feira, será que porque ela não fica mais na varanda?
ou ela não fica mais na varanda porque não frequenta mais a feira?
bom, na verdade eu não sei

mas estou com saudades da Laura, ela fazia tanta coisa diferente, que me impressionava, achava ela uma menina legal
acho que a varanda também deve sentir falta dela, por onde a Laura deve estar andar?

acho que ela está sumida demais.

texto e desneho: Gabriela Godoy
[grafite]