9 de outubro de 2008

Fada dos dentes arrependida




Ser desonesto esse do qual os conto esse conto.
Ele, ou ela, não tem nem sexo definido,
nem amigo do infinito, nem grito.
Gosta de nos infernizar com um zumbido no ouvido.
O nome usado pelas crianças é FADA.
Pra mim, poderia se chamar de mal-amada.
Certa vez, num momento de escassez,
eis ela que arranca o próprio dente de uma vez.
Arrumou uns trocados em troca
do dente que fez falta.
Burrice! Gritou sua consciencia depois do ato insano,
não menos que profano, um engano.
Um consolo.
Pesado como tijolo.
Feliz esteve outrora,
porém a falta de um dente à deixava triste agora.

(texto e desenho: Felipe Godoy)

7 de outubro de 2008

Eu sou um estranho pra mim mesmo





Gosto de ler livros na madrugada.
É bom ler os contos de terror na madrugada.
Moro sozinho, e a casa fica mais cheia quando eu leio,
apesar de não haver sons de Tv nem rádio, muito menos de pessoas conversando, há os sons dos meus pensamentos.
Numa dessas madrugadas enquanto escolhia o próximo livro, ví algo se mover perto da porta da sala, confesso que tive muito medo, adrenalina pura, mas fui verificar, e quando lá cheguei, era uma espécie de ser de outro mundo, e parecia ter saído de um dos meus livros, fui à cozinha, bebi um ou mais copos dágua, ainda com a luz apagada, tentei dormir essa noite sem pregar os olhos, pensando em voltar ou não pra sala.
Voltei à sala, e me deparei com um espelho, que eu não lembrava ter comprado, fiquei assustado ao ver refletido no espelho a imagem da mesma criatura que eu via à poucos minutos antes me rondando. Era eu refletido, Eu era um personagem, eu era um estranho pra mim mesmo!

(Felipe Godoy)

4 de outubro de 2008

Confissão


Apaguei a luz e tentei dormir
mais a obsessão de estar em outro lugar
me dava nos nervos
peguei os restos de comida
da geladeira e sosseguei
confesso por vezes guardei manias
bebidas baratas, livros, revistas
trancar a porta, guardar cacarecos
depois jogar fora
nessas últimas oito semanas.


(Gabriela Godoy)

2 de outubro de 2008

Os óculos sobre a mesa




Tira teus óculos
e me veja com teus olhos nús,

Cubra os olhos
com palpebras escuras
e tente me ver,

Coloque as lentes
e diga-me :
o que sou pra você ?


Felipe Godoy

1 de outubro de 2008

Chuva e Peixes



fiz essa música ontem à noite
e resolvi ilustrá-la,
fiquei pensando naquelas pessoas
que tem medo de mostrar quem realmente são...
por isso um peixe em corpo de gente,
por isso correr na chuva sem ter medo de se molhar...


Felipe Godoy

28 de setembro de 2008

Permita-se


Tenho receio de crescer,
20 anos é pouco
pra quem ainda tem um mundo pra entender.
Quero voltar atrás,
nem que seja um ano à menos
faço idéia que não dá mais,

me perguntaram um dia
em frases escritas em uma carta que veio de longe
qual o melhor ano da tua vida ?
e sem querer respondi que era o qual eu vivia naquele instante.

Quao grande foi minha tristeza
que debrucei-me na mesa
e me permiti refletir:
devemos nós fazer tudo que queremos
sem tentar desistir ?

as horas passam relativamente
e são sempre o contrário pra gente
amanhã tudo pode acabar
sem ter tempo de voltar ou gritar.


(desenho e texto: Felipe Godoy)

23 de setembro de 2008

Fuja, mas não Corra!


Fuja, mas não corra...
uma vez pensei assim,
fiquei com medo de mim
uma vez me peguei em completa concentração
pois eles sempre dizem
que a pressa é inimiga da perfeição!


(texto e desenho: Felipe Godoy)

13 de setembro de 2008

Calçada de Fidélia

Não tinha mais cara de casa
não tinha mais cara de romance
O lixo acumulava na sua calçada
já não tinha mais endereço o lugar aonde habitava

fidélia estanca o sangue
com a presença que já era longa de Abelardo
a olhar o seu desparafusar espontâneo das juntas
começava à atrofiar
fidélia clareava as roupas com as gotas salgadas
que escorria de seus olhos enquanto as lavava

com inúmeras facadas Abelardo à acertou
mas eram facas imaginárias que Fidélia
amargurou

úmido seus olhos sempre estavam
espaço vago, um vácuo tornou o seu vagar
resoluta e ao mesmo tempo sem respostas

com extrair do seu coração com a
ponta da faca Abelardo o arrancou
ninguém habitava mais aquele lugar
mais alguém saqueou um coração
e não se importou com a devolução

com uma grande Emenda
Fidélia quase enferrujou!


Texto e Desenho: Gabriela Godoy

7 de setembro de 2008

O Menino Mórbido


Rosto verde
face irregular
restos
estruturas
dos ossos
desossando
coloração verde
única coloração
verde
ramalhetes
comprados
murchos
enterrados
mais uma
quase uma
fábula
de uma
faceta
sem fim
carne
velha
dura
pele
ranço

montro?
homem.

(Gabriela Godoy)

2 de setembro de 2008

A mágica sem magia !




Uma vez eu encontrei um mágico,
eu particularmente gosto dos mágicos,
eles usam aquelas cartolas, sempre quiz ser um,
mas faltou-me habilidades,

Pois bem,
Eu passava por uma rua cheia e movimentada
e o ví, ele trajava roupas de Mágico,
por isso o reconheci,

logo o pedi pra que ele uma mágica pudesse fazer,
e assim me mostrar todo seu poder,

Ele pediu meu óculos rachado
eu o entreguei desconfiado,

Ele imediatamente o concertou
normalmente, sem usar o poder que contou,

Então me devolveu os óculos enquanto dizia:
- A mágica pode ser feita a qualquer hora,
mesmo sem o uso da magia!


(Felipe Godoy)